Alucinação
31/12/2023 Por Anabol Loja Off

Alucinação: O Que É, Tipos, Causas e Quando Procurar Ajuda

A alucinação é um fenômeno psicológico e neurológico que intriga tanto a ciência quanto a sociedade. Frequentemente associada a doenças mentais, o tema vai muito além da esquizofrenia e envolve também transtornos neurológicos, uso de substâncias psicoativas, privação sensorial, entre outros.

Apesar do estigma, as alucinações são mais comuns do que se imagina e podem ocorrer em pessoas saudáveis em determinadas condições. Este artigo traz uma explicação completa sobre o que são alucinações, seus tipos, causas possíveis, como diferenciar de delírios, e quais são os tratamentos disponíveis.


O Que É Alucinação?

Alucinação é uma percepção sensorial sem estímulo externo real. Ou seja, a pessoa vê, ouve, sente, cheira ou percebe algo que não está presente no ambiente, mas acredita ser real.

Diferente da imaginação ou dos sonhos, as alucinações ocorrem durante a vigília (quando a pessoa está acordada) e têm intensidade suficiente para serem confundidas com a realidade.


Tipos de Alucinação

As alucinações podem afetar qualquer um dos cinco sentidos. Veja os principais tipos:

1. Alucinação Auditiva

É o tipo mais comum, especialmente em quadros psiquiátricos como a esquizofrenia. A pessoa escuta vozes, sons, músicas ou ruídos inexistentes.

Exemplos:

  • Vozes que conversam entre si ou dão ordens
  • Sussurros, gritos ou risadas
  • Chamados pelo nome

2. Alucinação Visual

A pessoa vê objetos, pessoas, animais ou cenas que não existem. Pode ocorrer em distúrbios neurológicos, psicóticos ou intoxicações.

Exemplos:

  • Ver insetos rastejando pela pele
  • Figuras sombrias ou deformadas
  • Luzes piscando

3. Alucinação Táctil (Tátil)

É a sensação de toque, pressão, formigamento ou movimento na pele sem estímulo real.

Exemplos:

  • Sentir que há algo rastejando sob a pele (frequente em uso de cocaína ou crack)
  • Sensação de estar sendo tocado

4. Alucinação Olfativa

A percepção de odores que não existem. Muitas vezes está relacionada a epilepsia do lobo temporal ou tumores cerebrais.

Exemplos:

  • Cheiro constante de fumaça, carne queimada ou enxofre

5. Alucinação Gustativa

Percepção de gosto metálico, amargo ou doce na boca, sem nenhuma fonte real. Pode ocorrer em intoxicações ou crises epilépticas.

6. Alucinação Cenestésica (ou Somática)

É a sensação de que algo está acontecendo dentro do corpo, como deslocamento de órgãos ou correntes elétricas internas. É comum em transtornos psicóticos graves.


Diferença Entre Alucinação e Delírio

Muitas pessoas confundem alucinação com delírio, mas são fenômenos diferentes:

  • Alucinação: percepção falsa de um estímulo sensorial (ex: ouvir vozes que não existem)
  • Delírio: crença falsa e irracional, que não se desfaz com explicações lógicas (ex: acreditar ser perseguido por alienígenas)

Embora possam coexistir (especialmente em quadros psicóticos), são manifestações distintas da mente.


Principais Causas de Alucinação

As alucinações têm diversas causas, que podem ser agrupadas da seguinte forma:

1. Transtornos Psiquiátricos

  • Esquizofrenia: Cerca de 70% dos pacientes ouvem vozes. As alucinações auditivas são características marcantes.
  • Transtorno Esquizoafetivo: Combina sintomas psicóticos com alterações do humor.
  • Transtorno Bipolar: Alucinações podem ocorrer em fases maníacas ou depressivas graves.
  • Depressão psicótica: Episódios depressivos severos com presença de alucinações ou delírios.
  • Transtornos de personalidade graves: Algumas formas de borderline ou transtorno paranoide podem envolver alucinações transitórias.

2. Uso de Substâncias Psicoativas

Algumas drogas causam alucinações como efeito direto:

  • LSD, cogumelos alucinógenos, DMT: induzem principalmente alucinações visuais.
  • Maconha (em altas doses): pode causar alterações perceptivas e alucinações.
  • Cocaína e crack: costumam causar alucinações táteis (“bichos na pele”) e paranoia.
  • Álcool: a abstinência severa pode provocar o delirium tremens, com alucinações intensas.
  • Medicamentos: como anticolinérgicos, opioides, benzodiazepínicos e corticoides em altas doses também podem desencadear alucinações.

3. Distúrbios Neurológicos

  • Epilepsia do lobo temporal: pode causar alucinações olfativas ou visuais curtas e intensas.
  • Tumores cerebrais: especialmente em áreas responsáveis por sentidos e emoções.
  • Doença de Parkinson: em fases avançadas, há alucinações visuais frequentes, às vezes causadas pelos medicamentos dopaminérgicos.
  • Doença de Alzheimer: pacientes podem ter episódios de alucinação, principalmente visuais.
  • Enxaqueca com aura: pode gerar alucinações visuais transitórias.

4. Problemas Clínicos e Metabólicos

  • Febre alta (principalmente em crianças e idosos): pode desencadear estados confusos com alucinações.
  • Hipoglicemia (baixa de açúcar no sangue): em casos graves, pode levar a distúrbios perceptivos.
  • Distúrbios do sono (como a paralisia do sono): alucinações hipnagógicas (ao adormecer) ou hipnopômpicas (ao acordar) são comuns.
  • Desidratação e desnutrição: principalmente em idosos, podem levar a estados de confusão com alucinações.
  • Síndrome de Charles Bonnet: ocorre em pessoas com perda de visão (ex: degeneração macular), que passam a ter alucinações visuais complexas, mas mantêm consciência de que são irreais.

Diagnóstico das Alucinações

O diagnóstico envolve uma abordagem multidisciplinar:

  1. Histórico Clínico Detalhado:
    • Tipo da alucinação
    • Duração e frequência
    • Momento de aparecimento
    • Uso de substâncias ou medicamentos
  2. Exame Psíquico e Neurológico:
    • Avaliação da consciência, orientação, memória e comportamento
  3. Exames Complementares:
    • Exames de sangue: para avaliar eletrólitos, glicose, função hepática e renal
    • Tomografia ou ressonância magnética cerebral
    • Eletroencefalograma (EEG): se houver suspeita de epilepsia
    • Avaliação psiquiátrica formal: em casos suspeitos de transtornos mentais

Tratamento das Alucinações

O tratamento dependerá da causa específica. Algumas possibilidades incluem:

a) Transtornos psiquiátricos

  • Antipsicóticos: como risperidona, olanzapina, quetiapina, haloperidol
  • Estabilizadores de humor: para transtornos bipolares
  • Psicoterapia: especialmente a terapia cognitivo-comportamental

b) Alucinações causadas por drogas

  • Desintoxicação supervisionada
  • Reabilitação e acompanhamento psicológico

c) Distúrbios neurológicos

  • Ajustes em medicamentos neurológicos
  • Cirurgias ou outras terapias específicas

d) Causas clínicas/metabólicas

  • Correção de glicemia, eletrólitos, hidratação
  • Tratar infecções, febre ou problemas hepáticos/renais

Como Ajudar Alguém com Alucinações

  • Mantenha a calma e ouça a pessoa sem julgamento
  • Evite confrontar diretamente (“isso não existe”) — isso pode piorar a ansiedade
  • Ofereça apoio emocional e estimule a busca por ajuda médica
  • Remova objetos perigosos do ambiente, caso haja risco de autoagressão
  • Acompanhe ao médico ou pronto-socorro, especialmente se houver agitação, confusão ou risco de violência

Quando Procurar Ajuda Médica?

Procure um profissional de saúde imediatamente quando:

  • A alucinação é intensa ou frequente
  • Está associada a confusão mental ou alterações de comportamento
  • Há risco de agressividade ou suicídio
  • O paciente faz uso de drogas ou álcool em excesso
  • Há histórico de doenças neurológicas ou psiquiátricas

Considerações Finais

As alucinações são sintomas complexos que exigem avaliação cuidadosa, pois podem ter causas benignas e passageiras ou indicar condições clínicas graves. Não são sinais de “loucura” nem merecem julgamento: são manifestações do cérebro humano que precisam de compreensão e tratamento.

Se você ou alguém próximo está vivenciando episódios alucinatórios, busque ajuda médica o quanto antes. O diagnóstico correto e o tratamento adequado fazem toda a diferença para a qualidade de vida e segurança do paciente.